Pix, parcelamento e dólar: como empresas americanas estão aprendendo a vender para o consumidor brasileiro

O consumidor brasileiro pode atravessar fronteiras, comprar de uma empresa americana e adquirir um produto em dólares, mas não necessariamente abandona os hábitos financeiros que desenvolveu no Brasil. A preferência pelo Pix, o uso recorrente do parcelamento e a busca por uma experiência de pagamento simples estão criando novos desafios para empresas dos Estados Unidos […]

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O consumidor brasileiro pode atravessar fronteiras, comprar de uma empresa americana e adquirir um produto em dólares, mas não necessariamente abandona os hábitos financeiros que desenvolveu no Brasil. A preferência pelo Pix, o uso recorrente do parcelamento e a busca por uma experiência de pagamento simples estão criando novos desafios para empresas dos Estados Unidos interessadas em conquistar esse público.

O tamanho dessa transformação aparece nos números mais recentes do Banco Central. Ao longo de 2024, o Pix registrou aproximadamente 63,51 bilhões de transações e movimentou R$ 26,4 trilhões. No segundo semestre do ano, o sistema respondeu por 54,7% de todas as transações de pagamento realizadas no país, com 42,9 bilhões de operações.

“Quando o brasileiro se acostuma a realizar pagamentos instantâneos pelo celular, ele naturalmente passa a esperar praticidade também quando compra de uma empresa estrangeira”, afirma Marina Alves, executiva da Brazil Pays.

O parcelamento representa outro elemento importante desse comportamento. Segundo as estatísticas mais recentes do Banco Central, no quarto trimestre de 2025, 87,3% das transações com cartão de crédito foram realizadas à vista. Entretanto, quando se considera o valor financeiro, as compras à vista representaram 51,9% do total. As operações de duas ou três parcelas responderam por 17,1%, enquanto aquelas de quatro a seis parcelas representaram 14,2% e as de sete ou mais, 16,8%.

A diferença entre quantidade e valor mostra que o parcelamento tem peso especialmente relevante nas compras de maior valor. Para uma empresa americana, ignorar esse comportamento pode significar criar uma barreira justamente na última etapa da jornada de compra.

“Parcelar é uma forma de planejamento financeiro muito incorporada ao cotidiano brasileiro. Para muitas pessoas, a possibilidade de dividir uma compra influencia diretamente a decisão de aquisição”, explica Marina.

A questão ganha importância à medida que o comércio internacional deixa de depender exclusivamente de consumidores que viajam fisicamente para os Estados Unidos. Um brasileiro pode estar em seu próprio país e, em poucos minutos, comprar um curso, serviço, produto ou experiência de uma empresa americana.

Nesse cenário, aceitar apenas o formato tradicional de pagamento internacional pode não ser suficiente. O consumidor precisa lidar com moeda estrangeira, conversão cambial e diferentes métodos de pagamento, enquanto a empresa americana precisa administrar a venda e receber em dólares.

É nesse ponto que a adaptação da experiência de pagamento se transforma em uma estratégia comercial.

A Brazil Pays atua justamente nessa conexão entre os dois mercados. A empresa permite que consumidores brasileiros paguem em reais, inclusive por Pix e por meio de parcelamento no cartão, enquanto os comerciantes nos Estados Unidos recebem em dólares. A proposta é reduzir a distância entre a experiência financeira esperada pelo consumidor brasileiro e a estrutura operacional da empresa americana.

“Nosso papel é fazer com que a empresa americana consiga vender para o brasileiro sem obrigá-lo a abandonar a maneira como está acostumado a pagar”, afirma Marina.

A evolução regulatória também acompanha esse movimento. Em abril de 2026, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 561, atualizando as regras relacionadas aos serviços de pagamento ou transferência internacional, conhecidos como eFX. Entre as finalidades previstas estão pagamentos de compras no exterior e contratação de serviços internacionais. A resolução entra em vigor em 1º de outubro de 2026.

A mudança reforça que os pagamentos internacionais estão se tornando uma parte cada vez mais estruturada do comércio entre países. Para empresas americanas, entretanto, a questão não é apenas cumprir regras cambiais ou aceitar uma moeda diferente. É entender o comportamento do consumidor que está do outro lado da transação.

“O comércio internacional não acontece apenas quando o produto atravessa uma fronteira. Ele acontece quando o consumidor consegue comprar com confiança e conveniência, mesmo estando em outro país”, afirma Marina.

A combinação de Pix, parcelamento e pagamentos internacionais revela, portanto, uma mudança maior: vender para o Brasil exige compreender a experiência financeira brasileira.

Para empresas americanas, adaptar o pagamento pode representar mais do que uma facilidade operacional. Pode ser uma estratégia para ampliar conversão, reduzir barreiras no checkout e transformar um consumidor estrangeiro em cliente recorrente.

“Quando eliminamos a distância na hora do pagamento, criamos uma ponte comercial entre os dois mercados”, conclui Marina.