Vazamento de dados em fornecedores expõe empresas e exige reação rápida para reduzir prejuízos
Por: Katia Ramires – Falhas de segurança na cadeia de fornecedores podem ampliar riscos, comprometer informações estratégicas e gerar impactos financeiros e reputacionais Um ataque digital contra um fornecedor pode rapidamente se transformar em um problema para a empresa contratante. Mesmo quando os sistemas internos permanecem protegidos, informações compartilhadas com parceiros, prestadores de serviços e […]
Por: Katia Ramires –
Falhas de segurança na cadeia de fornecedores podem ampliar riscos, comprometer informações estratégicas e gerar impactos financeiros e reputacionais
Um ataque digital contra um fornecedor pode rapidamente se transformar em um problema para a empresa contratante. Mesmo quando os sistemas internos permanecem protegidos, informações compartilhadas com parceiros, prestadores de serviços e empresas terceirizadas podem acabar expostas, criando riscos financeiros, jurídicos e de reputação.
Para Mathews Cruz, especialista em segurança da informação, governança, riscos e conformidade, esse cenário exige uma mudança na maneira como as empresas enxergam seus fornecedores. A segurança não termina quando os dados deixam o ambiente corporativo.
“Uma empresa pode investir milhões na proteção dos próprios sistemas e ainda estar vulnerável se não souber como seus fornecedores armazenam, acessam e protegem as informações que recebem”, explica Mathews.
Fundador da Akuris e da Nexure Consulting, Mathews acumula mais de dez anos de experiência em segurança da informação e já atuou em setores como energia, saúde, educação e tecnologia. Sua trajetória inclui projetos de adequação à LGPD, avaliações de riscos, auditorias e estruturação de áreas de segurança.
Segundo o especialista, o momento imediatamente posterior à descoberta de um vazamento é decisivo. A primeira reação não deve ser apenas tentar descobrir quem foi responsável pelo ataque. É necessário entender rapidamente quais informações foram atingidas, qual fornecedor está envolvido e quais sistemas ou processos podem ter sido afetados.
“O primeiro passo é transformar a informação de que houve um incidente em uma visão clara do que realmente aconteceu. Sem saber quais dados foram expostos e quais relações existem entre os sistemas, a empresa trabalha no escuro”, afirma.
A velocidade também é importante. Quanto mais tempo uma organização demora para identificar a extensão de um incidente, maiores podem ser as consequências. A empresa precisa acionar suas equipes responsáveis por segurança, tecnologia, jurídico e privacidade, além de estabelecer uma comunicação adequada com o fornecedor envolvido.
Outro ponto destacado por Mathews é a necessidade de manter registros sobre os dados compartilhados com terceiros. Saber quais informações estão fora da empresa, quem pode acessá-las e para qual finalidade permite uma reação mais rápida quando surge um problema.
“Não adianta descobrir o fornecedor responsável pelo dado somente depois do incidente. A empresa precisa saber previamente onde suas informações estão, quem tem acesso a elas e quais controles existem nesse relacionamento”, destaca.
A situação também ganhou importância com a expansão dos serviços digitais. Empresas utilizam plataformas externas para armazenamento, pagamentos, atendimento, recursos humanos, marketing e diversas outras atividades. Com isso, a cadeia de fornecedores tornou-se parte importante da própria estrutura tecnológica do negócio.
Para Cruz, avaliar parceiros apenas no momento da contratação é insuficiente. A segurança precisa ser acompanhada durante todo o relacionamento.
“Fornecedor seguro hoje não significa necessariamente fornecedor seguro daqui a dois anos. Os ambientes mudam, os sistemas mudam e os riscos também mudam. Por isso, a avaliação precisa ser contínua”, alerta.
À frente da Akuris, plataforma brasileira de governança, riscos e conformidade, Mathews trabalha justamente com processos que ajudam empresas a organizar informações, identificar riscos e acompanhar controles. A automação pode contribuir para tornar esse acompanhamento menos dependente de planilhas e verificações isoladas.
Para o especialista, o objetivo não é impedir que empresas trabalhem com terceiros, mas tornar essa relação mais transparente e controlada.
“O fornecedor faz parte da operação da empresa e, quando ele sofre um incidente, o impacto pode chegar ao cliente. Segurança de terceiros precisa ser tratada como parte da própria segurança corporativa”, conclui Mathews Cruz.
Em um ambiente empresarial cada vez mais conectado, proteger os próprios sistemas já não é suficiente. Entender onde estão os dados, quem tem acesso a eles e como os parceiros administram essas informações tornou-se uma etapa essencial para reduzir os impactos de incidentes digitais.
