Home Office: como saber lidar e aumentar a produtividade?

A quarentena trouxe para muitas pessoas um novo modo de trabalhar: o home office.

Idas e vindas ao trabalho, trânsitos diários – principalmente para quem vive nas cidades grandes, pausas para o café, almoço com os colegas e até passeios pelas ruas da cidade foram de uma hora para outra trocados pelo pijama, mesa da sala e interrupções para lavar a louça ou dar atenção aos filhos.

Para alguns, nesse contexto a produtividade caiu. Para outros, ela ganhou forças, pois eles conseguiram se adaptar com mais facilidade à mudança.

“A incerteza está ligada à insegurança, que gera medo daquilo que possa vir a acontecer em todos os setores da vida” – Cristine Lima dos Santos

Segundo a psicóloga e orientadora vocacional Cristine Lima dos Santos, o isolamento pode prejudicar o rendimento.

“Pois a incerteza está ligada à insegurança, que gera medo daquilo que possa vir a acontecer em todos os setores da vida, tanto profissional, como pessoal (saúde, família etc.), tirando o foco da atenção no trabalho e ocorrendo também um desgaste energético. Primeiro, pelo pensar constante e segundo porque o esforço é maior para se voltar ao que precisa fazer”, ressalta.

Ela explica que a pandemia criou uma situação de luto, perda da rotina, do emprego, de uma vida como era conhecida,  da liberdade, do nosso sistema de saúde, da economia, gerando uma crise psicológica, pois nos sustentávamos dentro desta estrutura e agora tudo está sem definição clara.

A psicóloga e professora universitária Ellen Moraes Senra reafirma essa colocação.

O índice dos transtornos aumentaram consideravelmente, de forma a ter também acrescido muito a procura por tratamento remoto, ou seja, terapia e atendimento psiquiátrico on-line”.

De acordo com a profissional, o ideal é que se procure a ajuda necessária, siga o tratamento adequadamente e se estabeleça uma rotina voltada para os objetivos diários, caso contrário, pode ser que a pessoa não consiga executar seu trabalho usual com maestria.

Como fazer com que o home office seja mais assertivo?

Então, se o emocional está abalado, a estrutura financeira está afundando, a nova rotina é uma caixinha de surpresas diárias e ainda necessitamos nos adaptar ao home office, como fazê-lo de forma realmente eficaz?

“Administrar sua nova ‘empresa’, que ora será sua casa, ora será seu trabalho, assim como a escola das crianças, a academia, seu lar, dentre muitos outros ‘estabelecimentos’ seu e da família, deve ser muito bem mapeado. Por isso, deve-se designar uma estrutura que possibilite uma boa gestão. Crie uma agenda e faça um

“Se você não estabelecer um horário separado para o trabalho e outro para questões pessoais, as coisas se misturam e quando você perceber, estará trabalhando em tempo integral e se perdendo das demais funções” – Ellen Moraes Senra

planejamento semanal, revise diariamente, enumere as prioridades e procure fazer em momentos de maior calmaria”, pontua Cristine.

Ellen enfatiza que também é primordial saber quando é hora do seu home office e quando é hora de “estar em casa” para se dedicar 100% à situação.

“Se você não estabelecer um horário separado para o trabalho e outro para questões pessoais, as coisas se misturam e, quando você perceber, estará trabalhando em tempo integral e se perdendo das demais funções. Além disso, para quem tem criança pequena em casa, é sempre bom avisar que existe essa questão, visto que muitas pessoas estão em home office, mas também são responsáveis pelos cuidados com os filhos”, lembra.

Rosangela Sampaio, psicóloga e coach de carreiras, separou algumas dicas para que as pessoa sigam nesse período de home office, principalmente quando a pessoa sentir que o equilíbrio mental está abalado,

  • Pare e reflita antes de agir: procure refletir diante de algum momento de extremo desequilíbrio, entenda o que está sentindo e como deve reagir;
  • Permita-se sentir as emoções: controlar as emoções não significa reprimi-las. Por isso, permita-se sentir, entender e expressar o que sente;
  • Seja positivo: o pensamento positivo transforma suas visões sobre o mundo e sobre si mesmo, além de trazer alívio, conforto e impulsionar na conquista de seus objetivos;
  • Procure soluções assertivas: nas situações em que você não consegue aplicar uma solução a qual está em sua frente, é importante tomar atitudes de maneira racional, procurando outras alternativas;
  • Busque autoconhecimento: é muito importante que você saiba mais sobre si mesmo.Conhecendo-se melhor, será possível controlar as emoções, fortalecer a autoconfiança e as defesas sentimentais.

Horário e alimentação também contam!

Nessa fase, pela própria flexibilização de horário, muitos profissionais estão deixando para trabalhar à noite e durante a madrugada, quando os familiares já dormiram e a casa está tranquila.

Por mais que isso possa ser válido por um ou dois dias, o corpo vai ser desafiado por mais um item, lembrando que ele já vem sofrendo uma carga enorme de novas adaptações.

Sendo assim, dormir oito horas (no mínimo) é primordial tanto nesse período de isolamento, quanto sempre, pois é o momento em que o cérebro recarrega as energias, assim como todo o organismo e, acredite: você precisa disso.

Então, os profissionais são categóricos em afirmarem que criar uma rotina é a melhor saída para esse caso.

“A alimentação tem uma influência direta em nossa saúde física e mental. Busque alimentos que combatam doenças autoimunes e ligados à prevenção de ansiedade e depressão” – Rosangela Sampaio

Já quanto à alimentação, ela influencia muito no nosso dia a dia sempre, entretanto, na quarentena precisamos priorizar um cardápio que ajude na produtividade e também nas questões emocionais.

“A alimentação tem uma influência direta em nossa saúde física e mental, ou seja, é importante buscar alimentos que combatam doenças autoimunes e que estão ligados à prevenção de ansiedade e depressão. Um ponto que considero válido ressaltar é o aumento da compulsão alimentar neste período, visto que muitas pessoas estão com dificuldades de lidar com suas emoções e acabam descontando na comida, na busca por prazer. Neste caso, é importante e até o caminho mais correto buscar a ajuda multidisciplinar do trabalho com um psicólogo e um nutricionista”, observa Rosangela.

Dentre os alimentos que ajudam no combate à depressão e ansiedade estão algumas frutas (como a banana, a melancia, maçã, laranja e o abacate), o mel, leite e iogurtes, castanha-do-pará, nozes e amêndoas, ovos, folhas verdes, aveia e centeio, soja, carnes magras e carboidratos complexos (como pães e cereais integrais).

 

 

Serviço:

Cristine Lima dos Santos – @cristine.psicologia

Ellen Moraes Senra – @psicologaellensenra

Rosangela Sampaio – @rosangelasampaiooficial

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